15/10/2020

Com risco de nova onda de infecções por covid, mercados internacionais têm manhã de queda

 As Bolsas da Ásia fecharam em baixa nesta quinta-feira, 15, mais uma vez seguindo o mau humor de Wall Street, que na terça-feira, 14, teve um segundo dia de perdas diante do impasse em torno de um novo pacote fiscal nos Estados Unidos. Incertezas geradas pela pandemia do novo coronavírus também prejudicam a demanda por ações.

Na terça, as Bolsas de Nova York ficaram no vermelho pelo segundo pregão consecutivo, após o Secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, dizer que será difícil aprovar novos estímulos fiscais antes da eleição presidencial de 3 de novembro. Mnuchin ressaltou, porém, que foi orientado pelo presidente Donald Trump a continuar negociando com a oposição democrata.

O aumento de casos de infecção por covid-19, principalmente na Europa e nos EUA, também justifica a aversão por ativos considerados mais arriscados, como ações. França e Portugal anunciaram ontem medidas de restrição para tentar conter a propagação da doença.

Dados publicados durante a madrugada mostraram que a taxa anual de inflação ao consumidor na China desacelerou de 2,4% em agosto para 1,7% em setembro. Já a queda anual dos preços ao produtor na segunda maior economia do mundo se aprofundou um pouco no mesmo período, de 2% para 2,1%.


Bolsas da Ásia

O índice acionário japonês Nikkei caiu 0,51% em Tóquio, a 23.507,23 pontos, enquanto o chinês Xangai Composto recuou 0,26%, a 3.332,18 pontos, e o Hang Seng teve queda mais expressiva em Hong Kong, de 2,06%, a 24.158,54 pontos, pressionado por ações de tecnologia.

Em outras partes da Ásia, o sul-coreano Kospi caiu 0,81% nesta quinta, em sua terceira sessão consecutiva de perdas, o Shenzhen Composto - índice chinês de menor abrangência - recuou 0,70%, a 2.274,39 pontos, e o Taiex cedeu 0,71% em Taiwan, a 12.827,82 pontos.

Na Oceania, a Bolsa australiana ignorou o tom negativo da Ásia e ficou no azul. O S&P/ASX avançou 0,50% em Sydney, a 6.210,30 pontos, ajudado pelo setor de energia, que se valorizou 2,5% na esteira do bom desempenho dos preços de petróleo.


Bolsas da Europa

As Bolsas na Europa têm queda generalizada nesta quinta-feira, refletindo o temor do mercado com os impactos econômicos de uma segunda onda da covid-19 e um novo lockdown - até então tido como improvável. Crescem medidas de restrição mais duras para conter o vírus no Velho Continente, com toque de recolher em Paris, enquanto a região ultrapassou os Estados Unidos em novas infecções, batendo o recorde de 100.000 casos por dia. O mau humor dos investidores predomina em um dia chave para o Brexit, como é chamada a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), com a data limite imposta pelo primeiro ministro britânico, Boris Johnson, para um acordo com o bloco.

Depois de fecharem em baixa ontem, os mercados abriram no vermelho e acentuaram o ritmo de baixa, alinhados com os índices futuros de Wall Street em meio ao impasse fiscal nos Estados Unidos. Às 6h58 de Brasília, o índice pan-europeu Stoxx 600 amargava queda de 2,19%, aos 362,52 pontos.

O grave aumento de novos casos de covid-19 e, como reflexo, as medidas para conter a temida segunda onda minou a esperança dos investidores de que os ativos europeus poderiam ter desempenho melhor, trazendo-os para a realidade. Se antes um novo lockdown na Europa era praticamente descartado, agora, já preocupa - e muito.

Às 6h58, no horário de Brasília, o índice Dax, de Frankfurt, liderava as quedas, com baixa de 2,84%, aos 12.657,60 pontos, em meio à piora da confiança na economia alemã. Em Paris, o índice CAC-40 tinha queda de 2,20%, aos 4.832,98 pontos, após a França decretar toque de recolher na capital francesa e em mais oito cidades para conter uma segunda onda de covid-19.

O índice FTSE-100, de Londres, operava em queda de 2,27%, aos 5.800,45 pontos, com o setor financeiro contribuindo para a queda. As ações do Lloyds Banking Group tinha baixa de 2,94% enquanto os papéis do Barclays cediam 2,61%. Nas demais praças do Velho Continente, o FTSE-MIB, de Milão, recuava 2,42%, o Ibex-35, de Madri, tinha queda de 2,06% e o PSI-20, de Lisboa, de desvalorizava 1,63%.


Petróleo

Os contratos futuros do petróleo operam em baixa na madrugada desta quinta-feira, seguindo o mau humor das bolsas europeias e dos índices futuros de ações de Nova York, que reagem ao noticiário sobre a covid-19 e a um impasse em torno de um novo pacote fiscal nos EUA. Horas atrás, o petróleo chegou e subir, ampliando os ganhos de mais de 2% da sessão anterior, após o American Petroleum Institute (API) estimar queda no volume de petróleo bruto estocado nos EUA na última semana, de 5,4 milhões de barris. Nesta quinta, o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) publica seu levantamento semanal sobre estoques de petróleo dos EUA, que inclui números sobre produção. Às 4h31 (de Brasília), o barril do petróleo WTI para novembro caía 0,51% na Nymex, a US$ 40,83, enquanto o do Brent para dezembro recuava 0,55% na ICE, a US$ 43,08.

Fonte: Reuters

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